Homens e mulheres pagarão o mesmo valor em estabelecimentos a partir de agosto desse ano

Resultado de imagem para Homens e mulheres pagarão o mesmo valor em estabelecimentos a partir de agosto desse ano

Uma nova lei pode pesar nos bolsos das mulheres, aquele desconto em bares e restaurantes para quem é do sexo feminino está deixando de existir por determinação da justiça. O argumento para a mudança é promover a igualdade de gênero, mas as mulheres e os comércios estão divididos.

O empresário Dênis Nicolini, é proprietários de cinco estabelecimentos em São Paulo e a partir de agora terá que se adaptar a uma nova regra: cobrar preços iguais para homens e mulheres. “Eu não teria como baixar o ticket médio de homens e o que nós teremos que fatalmente fazer é aumentar o ticket médio de mulheres para igualar, isso com certeza irá trazer um prejuízo, irá diminuir a quantidade de mulheres no estabelecimento”, diz Dênis.

A determinação do Ministério da Justiça entra em vigor no mês de agosto de 2017, e deve valer para os setores de lazer e entretenimento de todo o país. A decisão atinge os preços de entrada e consumo praticados em casas noturnas, bares e restaurantes.

Com a nova lei o consumidor do sexo masculino poderá exigir o mesmo valor cobrado às mulheres caso ainda haja diferenciação. Se o estabelecimento se recusar a aceitar o menor valor, ele será fiscalizado e poderá ser autuado pela justiça. Segundo a opinião de várias mulheres isso é uma coisa boa: “Eu concordo sim em pagar o mesmo que um homem paga, porque isso pode diminuir um pouco essa desigualdade que existe entre gêneros na sociedade”.

Mas também existe opiniões contrarias: “Eu não concordo e acho que isso deveria ser mais discutido antes de mudar esta lei. As mulheres recebem menores salários na sociedade, então é justo sim nós pagarmos menos em muitos lugares, não só em balada e restaurantes”, segundo a opinião de mulheres entrevistadas.

A justificativa do Ministério da Justiça para a mudança, é promover a igualdade de gêneros e evitar as práticas abusivas no mercado de consumo. Mas para a antropóloga e fundadora do Observatório da Mulher, Raquel Moreno, a lei é equivocada:

“A questão de estar enfatizando a igualdade entre homens e mulheres é um falso argumento, eles fazem isso também em relação a aposentadoria, quando dizem que as mulheres também devem se aposentar aos 65 anos junto aos homens, eles não levam em consideração a dupla jornada de trabalho. Eu não concordo com essa mudança que está disfarçando outros propósitos por de trás dela”, diz Raquel.

“Igualdade de gênero deve ser levada em conta no salário também, antes de ser levado em conta essas mudanças que deveriam ser seguidas a partir de uma mudança mais profunda em termos de igualdade de gênero. Equiparação total seria então o foco para começar-se a discutir pequenas mudanças como esta em vigor”, reforça Raquel.