Cada vez mais empresas estão descriminando candidatos por terem o nome sujo

Em um país com mais de 13 milhões de desempregados e 60 milhões de devedores, associar a falta de emprego ao não pagamento das dívidas parece lógico, mas o que preocupa o trabalhador é que muitas empresas estão descartando os candidatos que têm o nome sujo na hora de contratar.

Essa prática é ilegal, mas tem sido denunciada com frequência nos grandes centros do país. Ela tende a aumentar cada vez mais por parte das empresas, mas caso o candidato consiga provar este abuso, ele poderá processar esta empresa por danos morais.

O auxiliar de escritório, Paulo Rodrigues, procura emprego há dois anos e sabe que já foi recusado porque estava com o nome sujo. “Fizeram uma pesquisa do meu nome junto ao SPC e Serasa e me perguntaram por que estava daquela forma, eu expliquei o porque, quais foram os motivos, mas mesmo assim não fui chamado na segunda faze”, diz Paulo.

As reclamações se repetem, a empresa que está contratando faz a pesquisa, mas não conta para o candidato o motivo de não o contratar. “Isso na verdade se constitui como uma ação discriminatória. Isso violaria o que nós advogados chamamos de o princípio da dignidade da pessoa humana e isso seria passível de dano moral”, diz o advogado Fabrício Sicchierolli Posocco.

A CLT – Consolidação das Leis do Trabalho – só proíbe a contratação de quem está com o nome sujo no caso de bancos e instituições financeiras. Isso por pressupor que quem não conseguiu administrar as próprias dívidas, pode também não ter critérios rígidos para avaliar quem pode ou não pegar um empréstimo do banco.

Outra exceção são os concursos públicos que podem excluir os candidatos com restrição aos créditos já no edital. Fora isso, a prática é ilegal, mas difícil de provar. É preciso uma prova documentada ou testemunhal de uma situação como essa, o que em termos práticos é muito complicado, porque as próprias empresas não divulgam os motivos pelos quais elas não contrataram.

A face mais cruel desta discriminação aparece nas pesquisas, pelo terceiro ano consecutivo o desemprego reflete no aumento da inadimplência no país de acordo com o serviço de proteção ao crédito.